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MATURIDADE ESCOLAR

A primeira visita na escola, onde professores experientes e o médico escolar saúdam os pais e os alunos de um primeiro ano, não é uma “prova” mas sim uma abertura para o primeiro dia de aula. As crianças vivenciam este dia inesquecível como uma festa e quando o garotinho olha neste dia nos olhos de seu professor e lhe dá a mão, como se a partir daí quisesse esforçar-se para aprender, então neste momento pode ser o começo de uma maravilhosa etapa.

O professor observando neste primeiro encontro como a criança se encaminha na comunidade da classe, como recebe em si algo, como trabalha, ou seja, o que as capacidades anímico-espirituais da criação mostram e o médico também as examina, quando então, a maturidade em relação ao desenvolvimento físico, então a maturidade escolar pode ser avaliada.

A constituição física a qual o médico está atento é algo recebido do qual nem os pais ou a criança não podem influir conscientemente e diretamente. Ela pode ser esclarecida através de alguns sinais, que gostaríamos de relacionar em primeiro lugar, para depois descrevê-los exatamente:

  • Postura – conformação
  • Dentição – formação e troca
  • Lateralidade
  • Idade

A transição da criança de folguedos para a criança escolar mostra-se em geral na chamada mudança de postura – conformação física: a criança escolar perdeu sua forma redonda e tornou-se mais esbelta e contornada. Não tem mais mãos fofinhas, a barriguinha aplainou-se, a curvatura da coluna vertebral e a silhueta começam a desenhar-se e conseguir colocar o braço direito sobre a cabeça de forma a tocar com a mão direita a orelha esquerda. Esta mudança é o sinal que as forças formativas na criança alcançam suas metas e que podem começar agora a atuar num outro patamar.

Ambos – final e novo começo – encontramos também na formação da dentição e na sua troca. A formação dentária há tempo foi concluída: 24 dentes estão sob os dentes de leite, de modo que a troca pode começar. Este desenvolvimento começa com os maiores (4 dentes de trás) que não empurram os dentes de leite. Estes rompem primeiro e só então começa a troca, isto quer dizer que os dois incisivos (caninos) são trocados, nas mandíbulas inferior e superior, quando então os dentes de leite caem. Para muitos alunos de 1 o ano os incisivos (caninos) de leite ainda estão firmes, para outros estão moles ou já caíram, de modo que os novos dentes já podem ser vistos. Isto varia de criança para criança. Para a maturidade escolar é fundamental que, pelo menos, os molares de trás tenham rompido. Mas há casos em que os incisivos são trocados em primeiro lugar antes dos molares.

Se as mudanças de conformação corporal e as trocas de dentes são sinais visíveis, a lateralidade é algo mais oculto. Alguns exercícios dados às crianças podem mostrar como ela está definida ou não:

  • Com que mão a criança desenha, segura a escova de dentes ou joga bola de tênis?
  • Qual o pé que escolhe espontaneamente quando pula ou chuta uma bola?
  • Em que orelha trás uma concha do mar para escutar seu ruído ou leva o fone do telefone?
  • Com qual olho olha através de um caleidoscópio ou monóculo ou telescópio?

Através destes exercícios vê-se como está a lateralidade da criança e se eventualmente há um cruzamento em sua dominância, que mais tarde poderá ser “curada” na escola. Mostra-se que a criança já escolheu sua preferência, ela vivencia o seu lado direito ou esquerdo de formas diferentes. Ela diferencia sua mão direita da esquerda assim como diferencia a direita-esquerda em formas, como por exemplo em “d” e “b”.

Dos relatórios de jardineiras percebe-se que a criança já não mais possui mãos desajeitadas e nem quer mais brincar tanto em construções com blocos, mas que já interessa-se por tarefas definidas às quais quer terminar. Propõe-se inclusive a conclui-las no dia seguinte, caso não tenha conseguido por falta de tempo.

Se comparamos o estado de conformação corporal, troca de dentição e lateralidade com a idade da criança então mostra-se a velocidade de seu desenvolvimento. Nisto é observado que os meninos desenvolvem-se mais devagar do que as meninas, ou seja, as meninas em geral estão de 2 a 4 meses na frente. Se para os meninos estabelece-se a idade média para a entrada no 1 o ano de 6 anos e 7 meses, poderia-se estabelecer para as meninas 6 anos e 4 meses. Este cálculo é naturalmente aproximado e pode variar de acordo com a régua geográfica.

O exame de maturidade do desenvolvimento físico é complementado pela observação pelo professor do âmbito químico-espiritual. Aqui não existem sinais visíveis. Além do mais a criança poder ser intensamente influenciada por acontecimentos no seu cotidiano e dar assim uma imagem errada. Por isto é importante olhar as observações da jardineira e também o quadro que a criança apresentou nos últimos tempos.

Para tanto atenta-se para diferentes gestos no desenho: a constituição física deve mostrar distintamente a trimembração: cabeça, tronco e membros. Céu e terra devem diferenciar-se e não serem confundidos ou misturados com em cima e embaixo.

Outra observação relaciona-se com a representação mental: quando a criança por exemplo olha a figura de uma fazenda e reconta o que viu: a criança madura começa com o termo “fazenda” enquanto que a imatura começa pelos detalhes. É também decisivo se a criança pode encontrar em ângulos retos um quadrado e sob formas ovais um círculo e se pode copiar uma forma que lhe é mostrada.

A criança tem interesse pelo desenho de formas, quer aprender as letras?

Já que as crianças gostam de exercícios táteis, pode-se dar-lhes os seguintes: sob um pano estão talvez ervilhas, avelãs e feijões numa cesta. Ela pode separar todos os feijões?

Outra coisa: quanto pode uma criança observar de uma só vez? Pode por exemplo trazer um regador, um vaso, um prato e uma vela ou precisa ser sempre novamente ? Pode perceber uma seqüência de números? Pode cantarolar uma melodia simples pentatônica após ouvi-la pela primeira vez?

Tais exercícios podem ser variados e completados pelo professor. Quanto maior for o número de exercícios, maior a idéia do que a criança pode ou é capaz de fazer, independente das características individuais que as crianças trazem e que compõem a riqueza de uma classe.

Comparando-se os resultados dos exercícios com a avaliação da maturidade corporal tem-se a conclusão se a criança está ou não pronta para o 1 o ano.

Existem crianças que têm um ótimo desempenho em todos os exercícios apresentados embora o seu desenvolvimento corporal revele uma imaturidade. Se estas crianças vão para o 1 o ano há o perigo das forças para a aprendizagem serem retiradas ou retidas, as quais ainda são necessárias ao desenvolvimento físico. O que se segue é um comprometimento em sua saúde e consequentemente um fraco desenvolvimento na aprendizagem.

A prática tem mostrado que em casos de dúvida é melhor esperar mais.

Mas também casos contrários aparecem. A maturidade física se apresenta mas o professor observa e expressa suas preocupações quanto à maturidade anímica-espiritual. Pode ser que seja um filho único que não brincou com outras crianças, que nunca teve a oportunidade de realizar tarefas simples por si mesmo. Só foi sempre servido. Nunca aprendeu manter alguma ordem por si mesmo. Não consegue seguir, copiar, imitar e tem dificuldade de fazer alguma coisa da qual não gosta. Uma criança assim poderia ter dificuldade para prestar atenção em classe durante aulas e de se inserir no contexto social do grupo.

Mas este não precisa ser o caso. A maturidade escolar pode de certa forma aparecer, mas falta-lhe o cultivo. Assim a criança aprende a maturidade social por exemplo somente na vivência com crianças da mesma idade no Jardim, onde o egocentrismo da criança pequena é superado.

 

Apesar da maturidade do desenvolvimento e de uma estrutura familiar ideal, com esforço dos pais, pode acontecer de uma criança apresentar muitas dificuldades em simples tarefas. Aqui pode se dar o caso de comprometimentos no desenvolvimento ou retardo que poderá ser tratado melhor se definido e descoberto cedo e encaminhado para uma terapia adequada o quanto antes. Nestes casos é de muita importância um trabalho conjunto permeado de confiança e abertura entre pais e escola.

O capítulo sobre maturidade está no fim do livro e não no seu início, como seria de se esperar pela seqüência lógica dos fatos para que o leitor possa inteirar-se sobre tudo o que uma criança de 1 o ano vivencia e para o que deverá estar madura.

A pergunta se a criança está madura para a escola não deveria ser a única com a qual o professor deveria estar preocupado. Quando ele começa com um 1 o ano, ele precisa também perguntar-se “se ele – professor – está maduro para as crianças?”.

TEXTO ORGANIZAO PELA PROFESSORA WALDORF MARIA CHANTAL AMARANTE

 

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